domingo, 10 de julho de 2011

ODE A VOCÊ


ODE A VOCÊ

I


Hoje ao ver a

Lua sorrir

Mesmo com essa
 Idade e meia
Quis num
Istmo
De volúpia
Fazer
Uma ode a você
Sem simetria
Ou
Sem nenhuma maestria
Todavia

II

Para exaltar
A boniteza
Do seu lirismo
Desmedido
Dedilhado
Destilado
Inacabado
Em melodia
Que desafia

III

Como para
Dizer da sua intensidade
Que arrebata
E se torna
Impetuosamente
Lasciva
Lesiva
A razão – emoção
Que busca diapasão
Nas zarabatanas
Guerreiras

IV

Quero expressar
Sobremaneira
Sem patologias
Pedagogias
Gritos ou psiquiatrias
Com calmaria

V

Que o ritmo
Das impossibilidades
Singulares
Clama em
Desentranhá-lo
Do sentir
Ardente
Para o aparente

VI

E sua unipessoalidade
Encantadoramente
Sedutora

É atroz e corrosiva

Para um ser também
Pungente
Que
Às vezes
Denuncia-se
Em ação
Lancinante

VII

Quero deixar
Dito o quanto seus
Olhos
Dois oceanos não – pacíficos
Ninam
No fogo
Do contraditório
O real
Um momento
De esteio
Outro a
Catapulta
Do insólito

VIII

E inconclusamente
Passando ao
Largo
E
Silenciosamente
Pego a congruidade do
Viver
Para
Alforriar-me
Nessa noite
De abril
Desse sentimento
Unissonante
Ainda beligerante

IX

E para terminar

Esse canto
Parafraseando os poetas
Procurando espaço para passar com os meus passos,
Adeus...Adeus...Adeus...




Zezé de Menezes.

Lua Nova – Vivenda – Iguape - 01.04.2006






Um comentário:

  1. Indubitavelmente esplêndido!
    Além de ótima professora, pessoa.. uma ótima poetisa!

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