1- ANALISAR UM ASPECTO DO ENTE E DA ESSÊNCIA DE TOMÁS DE AQUINO.
“Dizer que o ser é uno significa dizer que ele é intrinsecamente não contraditório, não sendo dividido, embora seja participável”. “O verdadeiro é transcendental do ente no sentido de que todo ente é inteligível”.”Todo ente é bom, porque é fruto e expressão da bondade suprema e livremente difundida de Deus”.
Na filosofia de Tomás de Aquino, há o defrontamento do verdadeiro com o ente. Em suas considerações acerca do verdadeiro, recorre à afirmação de Santo Agostinho: “O verdadeiro é aquilo que é”, e se então aquilo que é, é a verdade, e o conceito de cada ente está manifesto em sua própria definição, logo, aquilo que é só pode ser o ente. Dessa forma, o verdadeiro coincide com o ente, o qual é incompreensível quando fragmentado da verdade. Não há, portanto, diferenças que separam o ente do verdadeiro.
Se a verdade não coincidisse com o ente, seria apenas uma ordem deste, ordem esta que, por sua vez, o qualificaria como não-ente, e, por conseguinte, não-verdadeiro.
Uma mesma disposição garante a equivalência entre o ente e o verdadeiro. “A disposição de uma coisa no ser é como a sua disposição na verdade”.O ente, por sua própria natureza, é verdadeiro, então, o verdadeiro e o ente são iguais em essência. Entretanto, são possíveis contraposições a essa afirmação de igualdade: No enunciado “um ente é verdadeiro”, os termos “ente” e “verdadeiro” não pretendem exprimir o mesmo significado. Numa outra argumentação contrária à igualdade, há a afirmação de que coisas que são anteriores diferem das que são posteriores, e tudo o que é possível afirmar acerca do ente, são predicados ou adições, e estes são certamente posteriores. Por conseguinte, ente e verdadeiro são, requisitando a validade desta argumentação, diferentes entre si.
Para Tomás de Aquino, o ente é a coisa mais conhecida a qual o intelecto pode perceber. Todas as possibilidades conceituais são perfeitamente predicáveis ao ente, e em cada uma delas, o ente exibe um modo diferenciado. Em cada grau conceitual, o ente exprime gêneros diversos de coisas.
Na alma do homem, Tomás de Aquino aponta uma faculdade apetitiva e outra cognoscitiva. Segundo Aristóteles, o bem é aquilo a que tendem todas as coisas. De forma que o termo “bem” está vinculado à faculdade apetitiva da alma. Então, todos os apetites tendem ao bem. O termo “verdadeiro”, por sua vez, é a expressão da concordância envolvendo o ente e a inteligência. O ente é correspondente ao intelecto por assemelhação entre o intelecto e o objeto.
Assim ocorre a efetivação formal da verdade. O verdadeiro, vinculado à faculdade cognoscitiva da alma, é o resultado da abstração do intelecto sobre a coisa. Como o ente antecede a verdade, esta tem como efeito à cognição.
Sem a adição do verdadeiro, o ente é irreconhecível. O conhecimento acerca do ente corresponde à ação da inteligência sobre o mesmo. O verdadeiro acrescenta ao ente a concordância da coisa e a inteligência, logo, o verdadeiro é o ente que se revela e se explica. Há no conceito de verdadeiro, um algo a mais que não participa do conceito de ente.
O ente se encontra, primariamente, fora da inteligência, e é cognoscível através de sua imagem. A imagem do objeto movimenta o intelecto, o qual conhece o objeto e desperta a faculdade apetitiva da alma. Esta então, engendra o retorno do intelecto ao objeto em questão. Conforme Aristóteles, o verdadeiro e o falso não estão nas coisas, mas no intelecto.
Enquanto toda a realidade é verdadeira e expressa a forma própria de sua natureza, por necessidade, será verdadeiro o intelecto que a captura, na medida em que se assemelha com a coisa conhecida. O conhecimento da conformidade da coisa com o intelecto significa o conhecimento da verdade.
A verdade revela-se na inteligência, no instante em que esta passa a possuir algo próprio. A coisa que existe fora da inteligência, não possui o conceito de verdade, pois este deriva da correspondência da coisa com o objeto da inteligência. A verdade é predicada anteriormente da inteligência que conhece, e só posteriormente é predicada com a coisa que concorra com a natureza formal da realidade. A coisa que está fora do intelecto, materializa-se como verdadeira, mediante o conhecimento da inteligência sobre a imagem ou a forma do objeto na alma.
O intelecto é dependente do conhecimento sensível, porém, é transcendente a este. O intelecto potencialmente abstrai a representação do sensível, agindo como uma luz espiritual da alma que ilumina o mundo sensível com a finalidade de conhecê-lo.
Na filosofia de Tomás de Aquino, o inteligível não é a representação das coisas, pois se assim fosse, esta levaria a inteligir sobre a inteligibilidade das coisas, e não ao conhecimento que corresponde a entes e não idéias. Entretanto, é somente através das imagens representativas que as coisas podem ser conhecidas, pois não há a possibilidade de coisas físicas adentrarem fisicamente num intelecto não-físico.
A verdade lógica não está exatamente nas coisas e nem mesmo no intelecto, mas sim, na correspondência entre coisa e intelecto. Essa correspondência ocorre pela assemelhação entre intelecto e coisa, através de um elemento portador de inteligibilidade, a imagem, a forma, a essência.
É pela evidência do conhecimento que o verdadeiro se revela à mente humana. Os conhecimentos não-evidentes, por sua vez, necessitam de demonstração, a posteriori.
2- FAZER UMA DESCRIÇÃO SOBRE AS CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS DE ROGER BACON.
“Quem mostra o conhecimento ao homem é Deus”.
“O homem recebe a revelação de Deus para conhecer”.
Segundo Bacon, três são as fontes do saber: a autoridade, a razão, a experiência. A autoridade dá-nos a crença, a fé não, porém a ciência, porquanto não nos fornece a compreensão das coisas que formam o objeto da crença. A razão proporciona essa compreensão, quer dizer, a ciência; no entanto, não consegue distinguir o sofisma da demonstração verdadeira, se não achar fundamento e confirmação na experiência. A ciência experimental constitui a fonte mais sólida da certeza. Conforme Bacon, todavia, deve-se entender por experiência não apenas a que se alcança pelos sentidos externos e nos oferece o mundo corpóreo, mas também a experiência proporcionada pela iluminação interior de Deus. É, como se vê, um vestígio do agostinianismo tradicional. Do agostinianismo, Bacon aceita também a unidade entre filosofia e teologia, que Tomás tinha distinguido. O conhecimento através da experiência não visa à negação da fé. Ao contrário, ela auxilia a alma a cumprir suas possibilidades de realização, com o auxílio da graça divina. O conhecimento, para Bacon, possui um objetivo claro: assegurar a sabedoria cristã como o fundamento de uma nova sociedade. Desta forma, o saber técnico coloca-se a serviço desta reestruturação, tanto no sentido de impulsionar a filosofia cristã, tornando-a um instrumento cada vez mais eficiente de convencimento, quanto no sentido de desenvolver um aparato técnico que permita a aniquilação, se necessário pela força, daqueles que se lhe opõem. O impulso dado por Roger Bacon ao desenvolvimento de uma ciência experimental permite apontar seu pensamento como um dos precursores da era moderna.
3- FAZER UMA DESCRIÇÃO DAS GRANDES LINHAS DA REDUÇÃO À TEOLOGIA DE BOAVENTURA.
“Todas as coisas criadas são sombras” são sombras, ecos e imagens daquele Princípio primeiro poderosíssimo, (...) causa exemplar e final de todas as coisas”.
“Pois todas as coisas são imitação Dele”.
Boaventura diz que a razão é subordinada à fé, a filosofia à teologia. Diz que a Teologia é o complemento necessário de todas as ciências, artes e da Filosofia. A filosofia só atinge a perfeição na Teologia. Boaventura rejeitou a filosofia aristotélica porque essa não fazia a reflexão articulada com a teologia, era filosofia autônoma. Boaventura não entendia assim, ele entendia que a filosofia e a teologia estavam estreitamente ligadas, concordando com a tradição platônica e agostiniana.
Na sua doutrina Deus é atingido por três vias. A primeira é a da constatação imediata, qual seja o fato da aspiração natural à sabedoria e à felicidade, que pressupõe o conhecimento de Deus. A segunda via é a da causalidade, pela qual este mundo é interpretado como efeito da causa divina. A terceira via é a da idéia de um ser perfeito, que, conforme a prova alegada por Santo Anselmo, supõe que Deus existe, como sendo o referido ser perfeito.
Boaventura destacou a doutrina exemplarista de Platão: todas as coisas são inteligíveis porque feitas segundo as idéias exemplares de Deus. Conservou a doutrina agostiniana de que todas as criaturas, mesmo espirituais, se compõem de matéria e forma, ainda que a matéria dos espíritos seja de outra ordem que a dos corpos. Também conforme ao agostinianismo, os conhecimentos gerais e princípios da moral surgem por iluminação divino-natural, independendo, pois de um conhecimento a partir de uma abstração tomada ao ser sensível.
Reale e Antiseri comentam: “A ciência filosófica que Boaventura busca e, ao seu modo, elabora é, portanto”, caminho para outras ciências “, constituídas pela teologia e a mística, da qual a filosofia, precisamente é prólogo e instrumento”.
Diz Boaventura: “Deus é a razão de todas as coisas, a norma infalível, indelével, indubitável, irreversível, imutável, incoercível, interminável, indizível e intelectual”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MONDIN, Battista. Curso de filosofia. Os filósofos do ocidente. São Paulo: Paulus, 1982.
REEGEN, Jan G. J. Ter. Apostila de: História de Filosofia antiga. A época helenística e patrística. 1997.
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: antiguidade e idade média. São Paulo: Paulus, 1990.
História da Filosofia – Os pensadores.
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