CONSCIÊNCIA: AMPULHETA DO TEMPO
Original : Sílvio Holanda Amaro
Adaptação: Zezé de Menezes
Eu sou a bomba de nêutrons. Vou cortar as suas asinhas, tá sabendo? Eu sou o famoso apocalipse dos cordéis. Eu desafio a todos ou nasce uma idéia melhor do que a corrupção, ou a Inês é morta, de mãos postas, algodãozinho no nariz, velas coloridas, moeda na testa e um papa-defuntos que sofre de asma e tem dentes de ouro. Sintam só no ar o meu aroma o cheiro da destruição. Uma cafungadinha de amostra grátis para todos vocês. E onde diabo está o exorcista? O capeta ganha terreno. O papagaio aprendeu o Hino Nacional, mas parou nas margens plácidas. Longe muito longe do último banquete dos abutres a rigor, eu quero chocolate feito em casa. Porque todos nós, todos nós já estamos com as unhas sujas de nêutrons, mas eu, ainda posso fazer das minhas mãos um megafone para bradar bem alto: 100 gramas de filosofia pura. Se não tiver colírio, peça duas gotas de orvalho aos deuses. Mas quando posso por minhas digitais na lua, lua de mel de engenho passo a ver o que vejo: urubus dançarinos, pequenas crianças caolhas, algumas ruas no mar, uma procissão de lamparinas, dois padres anões, três meninas educadas e uma muriçoca dançando blues. Ponha aí nos classificados: Eu sou o vento que sopra a mim mesmo porque não posso parar. JÁ NÃO ESTOU MAIS AQUI.
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