sábado, 16 de julho de 2011

MEU MUITO QUERIDO EDUCADUCADOR


PEDAGOGIA DA AUTONOMIA:
Saberes necessários à prática educativa


Ensinar exige rigorosidade metódica.
Ensinar exige pesquisa.
Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos.
Ensinar exige criticidade.
Ensinar exige estética e ética.
Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo.
Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.
Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática.
Ensinar exige o reconhecimento e assunção da identidade cultural.


Ensinar exige a consciência do inacabamento.
Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado.
Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.
Ensinar exige bom senso.
Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores.
Ensinar exige apreensão da realidade
Ensinar exige alegria e esperança.
Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.
Ensinar exige curiosidade.


Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade.
Ensinar exige comprometimento.
Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo.
Ensinar exige liberdade e autoridade.
Ensinar exige tomada consciente de decisões.
Ensinar exige saber escutar.
Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica.
Ensinar exige disponibilidade para o diálogo.
Ensinar exige querer bem aos educandos.




FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996


     
 

Tomás de Aquino, Bacon, Boaventura


1-      ANALISAR UM ASPECTO DO ENTE E DA ESSÊNCIA DE TOMÁS DE AQUINO.

“Dizer que o ser é uno significa dizer que ele é intrinsecamente não contraditório, não sendo dividido, embora seja participável”. “O verdadeiro é transcendental do ente no sentido de que todo ente é inteligível”.”Todo ente é bom, porque é fruto e expressão da bondade suprema e livremente difundida de Deus”.


Na filosofia de Tomás de Aquino, há o defrontamento do verdadeiro com o ente. Em suas considerações acerca do verdadeiro, recorre à afirmação de Santo Agostinho: “O verdadeiro é aquilo que é”, e se então aquilo que é, é a verdade, e o conceito de cada ente está manifesto em sua própria definição, logo, aquilo que é só pode ser o ente. Dessa forma, o verdadeiro coincide com o ente, o qual é incompreensível quando fragmentado da verdade. Não há, portanto, diferenças que separam o ente do verdadeiro.
Se a verdade não coincidisse com o ente, seria apenas uma ordem deste, ordem esta que, por sua vez, o qualificaria como não-ente, e, por conseguinte, não-verdadeiro.
Uma mesma disposição garante a equivalência entre o ente e o verdadeiro. “A disposição de uma coisa no ser é como a sua disposição na verdade”.O ente, por sua própria natureza, é verdadeiro, então, o verdadeiro e o ente são iguais em essência. Entretanto, são possíveis contraposições a essa afirmação de igualdade: No enunciado “um ente é verdadeiro”, os termos “ente” e “verdadeiro” não pretendem exprimir o mesmo significado. Numa outra argumentação contrária à igualdade, há a afirmação de que coisas que são anteriores diferem das que são posteriores, e tudo o que é possível afirmar acerca do ente, são predicados ou adições, e estes são certamente posteriores. Por conseguinte, ente e verdadeiro são, requisitando a validade desta argumentação, diferentes entre si.
Para Tomás de Aquino, o ente é a coisa mais conhecida a qual o intelecto pode perceber. Todas as possibilidades conceituais são perfeitamente predicáveis ao ente, e em cada uma delas, o ente exibe um modo diferenciado. Em cada grau conceitual, o ente exprime gêneros diversos de coisas.
Na alma do homem, Tomás de Aquino aponta uma faculdade apetitiva e outra cognoscitiva. Segundo Aristóteles, o bem é aquilo a que tendem todas as coisas. De forma que o termo “bem” está vinculado à faculdade apetitiva da alma. Então, todos os apetites tendem ao bem. O termo “verdadeiro”, por sua vez, é a expressão da concordância envolvendo o ente e a inteligência. O ente é correspondente ao intelecto por assemelhação entre o intelecto e o objeto.
 Assim ocorre a efetivação formal da verdade. O verdadeiro, vinculado à faculdade cognoscitiva da alma, é o resultado da abstração do intelecto sobre a coisa. Como o ente antecede a verdade, esta tem como efeito à cognição.
Sem a adição do verdadeiro, o ente é irreconhecível. O conhecimento acerca do ente corresponde à ação da inteligência sobre o mesmo. O verdadeiro acrescenta ao ente a concordância da coisa e a inteligência, logo, o verdadeiro é o ente que se revela e se explica. Há no conceito de verdadeiro, um algo a mais que não participa do conceito de ente.
O ente se encontra, primariamente, fora da inteligência, e é cognoscível através de sua imagem. A imagem do objeto movimenta o intelecto, o qual conhece o objeto e desperta a faculdade apetitiva da alma. Esta então, engendra o retorno do intelecto ao objeto em questão. Conforme Aristóteles, o verdadeiro e o falso não estão nas coisas, mas no intelecto.
Enquanto toda a realidade é verdadeira e expressa a forma própria de sua natureza, por necessidade, será verdadeiro o intelecto que a captura, na medida em que se assemelha com a coisa conhecida. O conhecimento da conformidade da coisa com o intelecto significa o conhecimento da verdade.
A verdade revela-se na inteligência, no instante em que esta passa a possuir algo próprio. A coisa que existe fora da inteligência, não possui o conceito de verdade, pois este deriva da correspondência da coisa com o objeto da inteligência. A verdade é predicada anteriormente da inteligência que conhece, e só posteriormente é predicada com a coisa que concorra com a natureza formal da realidade. A coisa que está fora do intelecto, materializa-se como verdadeira, mediante o conhecimento da inteligência sobre a imagem ou a forma do objeto na alma.
O intelecto é dependente do conhecimento sensível, porém, é transcendente a este. O intelecto potencialmente abstrai a representação do sensível, agindo como uma luz espiritual da alma que ilumina o mundo sensível com a finalidade de conhecê-lo.
Na filosofia de Tomás de Aquino, o inteligível não é a representação das coisas, pois se assim fosse, esta levaria a inteligir sobre a inteligibilidade das coisas, e não ao conhecimento que corresponde a entes e não idéias. Entretanto, é somente através das imagens representativas que as coisas podem ser conhecidas, pois não há a possibilidade de coisas físicas adentrarem fisicamente num intelecto não-físico.
A verdade lógica não está exatamente nas coisas e nem mesmo no intelecto, mas sim, na correspondência entre coisa e intelecto. Essa correspondência ocorre pela assemelhação entre intelecto e coisa, através de um elemento portador de inteligibilidade, a imagem, a forma, a essência.
É pela evidência do conhecimento que o verdadeiro se revela à mente humana. Os conhecimentos não-evidentes, por sua vez, necessitam de demonstração, a posteriori.

2-      FAZER UMA DESCRIÇÃO SOBRE AS CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS DE ROGER BACON.

“Quem mostra o conhecimento ao homem é Deus”.
“O homem recebe a revelação de Deus para conhecer”.

Segundo Bacon, três são as fontes do saber: a autoridade, a razão, a experiência. A autoridade dá-nos a crença, a fé não, porém a ciência, porquanto não nos fornece a compreensão das coisas que formam o objeto da crença. A razão proporciona essa compreensão, quer dizer, a ciência; no entanto, não consegue distinguir o sofisma da demonstração verdadeira, se não achar fundamento e confirmação na experiência. A ciência experimental constitui a fonte mais sólida da certeza. Conforme Bacon, todavia, deve-se entender por experiência não apenas a que se alcança pelos sentidos externos e nos oferece o mundo corpóreo, mas também a experiência proporcionada pela iluminação interior de Deus. É, como se vê, um vestígio do agostinianismo tradicional. Do agostinianismo, Bacon aceita também a unidade entre filosofia e teologia, que Tomás tinha distinguido. O conhecimento através da experiência não visa à negação da fé. Ao contrário, ela auxilia a alma a cumprir suas possibilidades de realização, com o auxílio da graça divina. O conhecimento, para Bacon, possui um objetivo claro: assegurar a sabedoria cristã como o fundamento de uma nova sociedade. Desta forma, o saber técnico coloca-se a serviço desta reestruturação, tanto no sentido de impulsionar a filosofia cristã, tornando-a um instrumento cada vez mais eficiente de convencimento, quanto no sentido de desenvolver um aparato técnico que permita a aniquilação, se necessário pela força, daqueles que se lhe opõem. O impulso dado por Roger Bacon ao desenvolvimento de uma ciência experimental permite apontar seu pensamento como um dos precursores da era moderna.

3-      FAZER UMA DESCRIÇÃO DAS GRANDES LINHAS DA REDUÇÃO À TEOLOGIA DE BOAVENTURA.


 “Todas as coisas criadas são sombras” são sombras, ecos e imagens daquele Princípio primeiro poderosíssimo, (...) causa exemplar e final de todas as coisas”.

“Pois todas as coisas são imitação Dele”.



Boaventura diz que a razão é subordinada à fé, a filosofia à teologia. Diz que a Teologia é o complemento necessário de todas as ciências, artes e da Filosofia. A filosofia só atinge a perfeição na Teologia.  Boaventura rejeitou a filosofia aristotélica porque essa não fazia a reflexão articulada com a teologia, era filosofia autônoma. Boaventura não entendia assim, ele entendia que a filosofia e a teologia estavam estreitamente ligadas, concordando com a tradição platônica e agostiniana.
Na sua doutrina Deus é atingido por três vias. A primeira é a da constatação imediata, qual seja o fato da aspiração natural à sabedoria e à felicidade, que pressupõe o conhecimento de Deus. A segunda via é a da causalidade, pela qual este mundo é interpretado como efeito da causa divina. A terceira via é a da idéia de um ser perfeito, que, conforme a prova alegada por Santo Anselmo, supõe que Deus existe, como sendo o referido ser perfeito.
  Boaventura destacou a doutrina exemplarista de Platão: todas as coisas são inteligíveis porque feitas segundo as idéias exemplares de Deus. Conservou a doutrina agostiniana de que todas as criaturas, mesmo espirituais, se compõem de matéria e forma, ainda que a matéria dos espíritos seja de outra ordem que a dos corpos. Também conforme ao agostinianismo, os conhecimentos gerais e princípios da moral surgem por iluminação divino-natural, independendo, pois de um conhecimento a partir de uma abstração tomada ao ser sensível.
Reale e Antiseri comentam: “A ciência filosófica que Boaventura busca e, ao seu modo, elabora é, portanto”, caminho para outras ciências “, constituídas pela teologia e a mística, da qual a filosofia, precisamente é prólogo e instrumento”.
Diz Boaventura: “Deus é a razão de todas as coisas, a norma infalível, indelével, indubitável, irreversível, imutável, incoercível, interminável, indizível e intelectual”. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MONDIN, Battista. Curso de filosofia. Os filósofos do ocidente. São Paulo: Paulus, 1982.
REEGEN, Jan G. J. Ter. Apostila de: História de Filosofia antiga. A época helenística e patrística. 1997.
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: antiguidade e idade média. São Paulo: Paulus, 1990.
História da Filosofia – Os pensadores.


 

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


DIA INTERNACIONAL DA MULHER
08 DE MARÇO!
Em homenagem as operárias que em 1857, foram queimadas numa fábrica em Nova York, reivindicando melhores condições de trabalho.
Mulher
Uma guerreira
Lindamente
Histórico – dialética.
Ela nos ensina e aprende a
Real arte do amor, da dor e da superação.

(Professora: Ezelita de Menezes).


terça-feira, 12 de julho de 2011

A LAGOA DE MECEJANA: INTERESSES INTERLIGADOS NA VIVÊNCIA DO LAZER

                   Há quase quatro séculos habitavam as terras de Mecejana os índios Paupinas originários da nação Potiguara que uma parte, banida do Rio Grande do Norte, veio para a “capitania do Siará” por volta de 1535, iniciando assim a história da Mecejana.
                   Conta o livro Iracema de José de Alencar que, Martim Soares Moreno, “o Coatiabo”, precisava viajar para as terras do Maranhão, pois iria combater os franceses e a “virgem dos lábios de mel, cabelos negros como a asa  da graúna e esbelta como talhe de palmeira” não suportando a solidão, já que seu grande amor viajara, passeava sozinha pelas margens da grande lagoa a pensar no seu amor, na aldeia, para aquela atitude de Iracema, deram o nome de mecejana que em tupi-guarani quer dizer, “abandonada” ou “ abandonada na lagoa” ou ainda “ abandonada na lagoa das mangueiras”.
                Na verdade, José de Alencar em seu romance de 1865, transformou as aventuras do considerado fundador do Ceará, Martim, numa bela história de amor na qual explica poeticamente a origem de sua terra natal.
                 O vocábulo ainda hoje designa o lugar, na língua portuguesa é grafado com dois eses: Messejana.
                   A aldeia cresceu e a Lagoa de Mecejana, fecunda aos interesses indígenas lhes proporcionava alimentação, banho, pesca, água boa e biodiversidade, além de muitas brincadeiras aos curumins, era um refúgio ideal para os Paupinas, que viviam sob a égide da paz, abundância e tranqüilidade.
                   O contato dos Paupinas com os exploradores portugueses resultou em perdas para a aldeia, grande parte de suas terras foi destruída e tomada pelos “colonizadores”. O Ceará foi um dos lugares do Brasil em que os índios mais reagiram à invasão portuguesa, dificultando a entrada dos “colonizadores” no sertão.
                     Mecejana virou vila, Mecejana virou cidade e hoje é apenas mais um bairro da cidade de Fortaleza.
                    Os vários interesses com relação à resistente e obstinada Lagoa de Mecejana continuaram e chegamos ao século XXI pelas mãos do poder Municipal, oficialmente inaugurando a “área urbanizada”, com pracinhas, píer de lanchas, pistas de Cooper, quadras poliesportivas, iluminação moderna, marginais a sua margem e insegurança das suas águas.
                   A Lagoa de Mecejana segue resistindo, mesmo chorando o seu abandono com lágrimas poluídas, de peixes às vezes deformadas, de poetas que ainda exaltam a sua saudosa beleza, de artistas plásticos que a retratam e de transeuntes indiferentes a sua história.
                DUMAZEDIER (1973:84), categorizou no campo do Lazer cinco interesses de vivência do homem no seu processo de construção e humanização.
                 A construção deste ensaio teórico tem como fundamentação e objetivo a tentativa de refletir, mesmo que brevemente, sobre os conteúdos das cinco categorias de interesses da vivência do Lazer embasadas na história do espaço social construído pela comunidade em torno da Lagoa de Mecejana.
                 Dizem os estudiosos sobre o lazer, com, por exemplo: (MARCELLINO, 1995:41) que esses interesses se distinguem por dois critérios, ou seja, o processo de produção e a finalidade, mas que esses interesses são interligados e não se esgotam em se mesmos, “ conclui-se que a distinção entre vários interesses só pode se estabelecida em termos de predominância e representando escolhas subjetivas, aliás, evidenciando uma das características das atividades do lazer, ou seja, a escolha individual”.
                  A 1ª categoria: Os interesses físicos fundamentam-se na busca das relações com as práticas dos vários esportes, da pesca e em todas as atividades que prevaleçam os movimentos.
                  A Lagoa de Mecejana movimenta a busca do prazer pelas práticas esportivas desde a época indígena, da pesca de subsistência aos grupos de pescadores amadores que foram se criando espontaneamente ao longo dos anos e que ainda existem, da criançada do passado que fugia dos olhos atentos da família para tomar banho nas suas águas limpas e aprender a nadar, as crianças de hoje que se reúnem todos os dias para os vários jogos de bola.
                   A 2ª categoria: Os interesses práticos ou manuais, possibilidades utilitárias, artesanato, jardinagem, considerado semi-lazer, pois é utilizado também como atividade econômica.
                 Essa categoria depende da atitude do sujeito, da relação que ele estabelece com a natureza. Verificamos em momentos diferenciados da história a preocupação com o paisagismo, com os cuidados em plantar e conservar a Lagoa. Atualmente não observamos mais a olho nu essa inter-relação homem – natureza ou cultivo da flora (mangueiras, coqueiros, cajueiros) que circundam a Lagoa de Mecejana. Com a urbanização houve a preservação da área verde que já existia e de certa forma, houve também a preservação do patrimônio ambiental urbano.
                A 3ª categoria: Os interesses artísticos, os conteúdos são estéticos na busca da beleza, sentimentos, emoções e imaginação.
            Essa categoria é realmente a mais visível na Lagoa, os interesses artísticos são muitos, decantada em prosa, verso, cordel e embolada; retratada pelos mais variados artistas plásticos; palco de inúmeras performances teatrais a Lagoa vem cumprindo o seu papel de musa inspiradora no seu processo histórico.
                A 4ª categoria: Os interesses intelectuais, conhecimento vivido, experimentado.
                As possibilidades vivenciadas e experimentadas por gerações e gerações da comunidade da Lagoa de Mecejana são contadas através das histórias orais e algumas delas relatadas em livros e memoriais.
                A 5ª categoria: Os interesses sociais buscam o repouso, o divertimento, o grupo, a participação nos vários grupos.
               Uma outra categoria de suma importância, também visível e muito atual, principalmente depois da urbanização. Vemos a comunidade mais assídua, andando, conversando, sentado nas pracinhas, rodinhas de xadrez, clube da melhor idade, grupo de jovens construindo a sociabilidade mais sistematicamente, buscando a conviviabilidade humana equilibrada, coesa e em paz.
                É fundamental analisar também que, com a urbanização ou criação de uma infra - estrutura urbanizada houve uma reação articulada partindo da comunidade em se (re) apropriar do espaço Lagoa de Mecejana e democratiza-lo na tentativa de melhorar a qualidade de vida e revitalizar a prática do lazer.
                  Por outro lado, para que essa revitalização das práticas do lazer tenha consistência e continuidade, necessário se faz pensar como amenizar os efeitos nocivos no espaço de lazer no que concerne a violência urbana que hoje infelizmente tem ditado até horários, movimentos e ações que fazem parte da vivência do lazer.
                 Essa violência urbana é fruto de todas as desigualdades e injustiças sociais, da desestruturação do núcleo familiar, da falta de amor, da ausência culposa do Estado, das duas “ordens” sociais que se estabeleceram e se enfrentam, uma a da bandidagem, outra do estado bandido que dita normas e pratica crimes, além é claro fruto das políticas públicas carcomidas em práticas corruptas que minaram e alargaram ao longo da história as possibilidades iguais para todos os sujeitos.
Isso tudo exacerba no homem mal formado por circunstâncias adversas, sem nenhuma oportunidade de vir a ser, pois lhe falta tudo, a periculosidade da (des) humanização que enseja o caos social urbano que estamos vivenciando nessa terra brasilis, limitando os direitos constitucionais de ir, vir, viver, trabalhar, vestir, morar e lazer daquele que constrói a sua cidadania a duras penas, cerceando a sobrevivência harmônica humana e igualitária dessa nação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALENCAR, José. Iracema.
DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e Cultura Popular. São Paulo, Perspectiva, 1973.
MARCELLINO, Nelson Carvalho, Lazer e Humanização. Campinas, São Paulo, Papirus,1995.


 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Velho Chico.

As águas do Velho Chico
Lavam nossas mentes
Sem margens
Que as cerceiem
Singrando
Caminhos do livre pensar
Frutos da essência
De seres que negam
As estruturas carcomidas
Das aparências
Que sempre enganam...

As águas do Velho Chico
Nos falam
De filosofias nunca dantes navegadas
Que indiosincraticamente
São negadas
Na busca do real cambiante
Dos seres que não reverberam
A sua pura aparência...

As águas do Velho Chico
Também trazem anunciando
Em sua proa
Sinais de fumaça
Trazidos pelos novos ventos que sopram
Das bandas de lá...

Zezé de Menezes e Glauber Cavalcante

NÃO ME CONFORMO

As primeiras gotas de chuva
molham
o prelúdio de
lua cheia
E eu não me conformo
em não tê-lo
para sentí-las
caindo sobre
os nossos corpos,
saboreando um entardecer
que anuncia prás bandas
do sertão
que o verde brotará...
Eu não me conformo
em não tê-lo
para brincarmos
de sermos felizes
banhados pelas chuvas
que profeciam
a vida...

Zezé - 10 de fevereiro 2006 - Itatira - Ceará

Emoçãorazãosublimação

Que emoção é essa
coberta de razão?
que razão é essa impregnada
de emoção?
E quanto te olho?
Nem razão...
Nem emoção...
Desgraçadamente apaixonada...
Insanamente devotada...
Mera ilusão...
Hoje, odeio Platão...
Não agüentomais a sublimação...

Zezé - 15.03.2006 - Lua Cheia

RÉQUIEM A UM POETA


I
Enfim, poeta!
A máscara
Da persona
Mitificada
Já escuta
Os acordes
Do seu réquiem.
II
Enfim, poeta!
Explendeu
O sol
Que,
Das trevas
Fulgia...
Réquiem aetemam dona eis
III
Enfim, dai
O repouso eterno
Ao amor
Indécoro...
IV
Enfim, poeta!
Não te encontro
Mais no teu nome!
Estás na noite?
No além?
Em ti?
Rondo...
Descanso...
Canso...
Passo...